
O tênis de trilha venceu: gorpcore virou roupa de escritório
Salomon e HOKA saíram da montanha e ocuparam o café e o corredor da empresa. Junto vêm o "oversize arquitetônico" e a eco-utility.
Tênis de trilha em reunião. Gore-Tex sem chuva à vista. O gorpcore deixou de ser nicho de quem sobe montanha e virou o padrão de rua de 2026 — com Salomon e HOKA circulando muito além do universo outdoor que os criou.
O que faz uma estética técnica virar cotidiana
Roupa outdoor entrega três coisas que o vestuário urbano tinha abandonado: resistência, impermeabilidade e conforto real. Quando a silhueta larga voltou, o técnico deixou de destoar — e passou a ser a escolha racional.
O consumidor não vestiu montanha. Ele vestiu o item que dura mais.
As duas tendências que vêm junto
Oversize arquitetônico. O largo deixou de ser simplesmente maior. Agora tem estrutura: caimento tridimensional, ombro construído, forma que se sustenta sozinha. É o oposto do baggy, que dependia do corpo para existir.
A silhueta também mudou de novo: a calça reta substitui o baggy extremo, e o logo gigante perdeu espaço — a atenção voltou para tecido e corte.
Eco-utility. Cruzamento entre tecido técnico de outdoor e silhueta de rua feita com material reciclado. É o que permite à peça sustentar a narrativa de durabilidade sem abrir mão da aparência.
O que o setor não resolve
Um tênis de trilha de R$ 1.500 no asfalto nunca vai enfrentar o que foi projetado para enfrentar. A performance virou argumento estético — e é vendida como se fosse necessidade.


